CONHECENDO AS ARANHAS PEÇONHENTAS DO BRASIL



As aranhas são freqüentemente confundidas com insetos, porém, são artrópodes que pertencem à classe dos aracnídeos da qual também fazem parte os escorpiões, ácaros e carrapatos.

Os aracnídeos são caracterizados por apresentarem o corpo dividido em duas partes (cefalotórax e abdomen), quatro pares de pernas torácicas, um par de pedipalpos e um par de quelíceras que servem para injetar veneno nas presas. Não possuem antenas como os insetos e a maioria das aranhas têm 8 olhos. Algumas têm 6, 4 ou 2 olhos, ou mesmo nenhum. Algumas aranhas de caverna, por exemplo, são cegas.

Embora todas as aranhas produzam seda, só algumas constroem teias para capturar os animais de que se alimentam e outras usam as teias como moradas e para proteger seus ovos.

Dentre as 35.000 espécies de aranhas catalogadas ao redor do planeta, somente 20 a 30 são consideradas perigosas ao homem. No Brasil, as espécies peçonhentas mais envolvidas em acidentes pertencem aos gêneros Phoneutria, Loxosceles e Latrodectus. São notificados anualmente cerca de 5.000 acidentes. A predominância destas notificações são nas regiões Sul e Sudeste, dificultando uma análise mais abrangente do acidente em todo o país.

Os acidentes com aranhas ocorrem não pelo ataque ativo da aranha, mas sim na tentativa de defender-se. Na picada é injetado veneno produzido por glândulas próximas às quelíceras, utilizado para captura de presas.

Em face das informações disponíveis pela Secretaria de Saúde do Paraná, pode-se considerar:

Distribuição segundo os meses do ano: observou-se que os acidentes por Phoneutria aumentam significamente no início da estação fria (abril/maio), enquanto os casos de loxoscelismo sofrem incremento nos meses quentes do ano (outubro/março). Isso pode estar relacionado ao fato de que no Sul e Sudeste, as estações do ano são melhor definidas quando comparadas às demais regiões do país.

Distribuição dos casos nos estados: a maioria dos acidentes por Phoneutria foram notificados pelo estado de São Paulo. Com respeito aos acidentes por Loxosceles, os registros provêm das regiões Sudeste e Sul, particularmente no estado do Paraná, onde se concentra a maior casuística de Loxoscelismo do país. A partir da década de 80, começaram a ser relatados acidentes por viúva-negra (Latrodectus) na Bahia e, mais recentemente, no Ceará. Os acidentes são favorecidos pela proximidade das aranhas às residências, onde encontram alimento e abrigo. Podem se esconder dentro de sapatos, em cantos e frestas, em materiais em desuso, em gavetas.

Não fazem teias, são errantes e solitárias, podendo ser encontradas em lugares escuros. Podem entrar por debaixo das portas das residências, escondendo-se dentro de calçados. Geralmente à noite saem para caçar. São muito agressivas e assumem postura ameaçadora, "armando o bote" com as patas dianteiras erguidas, de onde vem seu nome. O veneno é um potente neurotóxico e cardiotóxico, esta é a segunda aranha mais perigosa, perdendo apenas para aranha-marrom. São comuns os acidentes, anualmente responsáveis por cerca de 42% dos casos de picadas por aracnídeos. Podendo ser graves para crianças menores de 7 anos e idosos. O sintoma predominante é uma dor intensa no local da picada, podendo ser acompanhada de parestesia do local da picada, taquicardia, sudorese, visão turva e vômito. O tratamento em geral consiste de aplicação local de anestésico e, em casos graves, de aplicação do soro antiaracnídico. Apesar da alta toxicidade da peçonha da armadeira, a maior parte dos casos registrados são considerados leves e com prognóstico favorável.


Possui cor amarelada, sem manchas. Chega a atingir de 3 a 4 cm, incluindo as pernas. O corpo atinge de 1 a 2 cm. Os pêlos são poucos, curtos, quase invisíveis. Essas aranhas vivem em teias irregulares, semelhantes a um lençol de algodão, construídas em tijolos, telhas, tocos de bambu, barrancos, cantos de parede, garagens, geralmente em lugares escuros. Não são agressivas e os acidentes são raros, porém, geralmente graves. Os primeiros sintomas de envenenamento são uma sensação de queimadura e formação de ferida no local da picada. O tratamento é feito com soro antiaracnídico ou antiloxoscélico.



Possui cor preta, com manchas vermelhas no abdômen e às vezes nas pernas. São aranhas pequenas: a fêmea tem de 2,5 a 3 cm (o corpo com 1 a 1,5 cm) e o macho é de 3 a 4 vezes menor. Vivem em teias que constroem sob vegetação rasteira, em arbustos, plantas de praia, barrancos, etc., em lugares escuros. Conhecem-se no Brasil apenas alguns acidentes de pequena e média gravidade, não se produzindo soro contra as espécies brasileiras.




Como medidas de prevenção de acidentes com aranhas peçonhentas recomenda-se:

• manter limpos quintais, jardins e terrenos baldios, não acumulando entulho e lixo doméstico;

• aparar a grama dos jardins e recolher as folhas caídas;

• vedar soleiras de portas com saquinhos de areia ou friso de borracha, colocar telas nas janelas, vedar ralos de pia, tanque e de chão com tela ou válvula apropriada;

• colocar o lixo em sacos plásticos, que devem ser mantidos fechados para evitar o aparecimento de baratas, moscas e outros insetos, que são o alimento predileto de aranhas e escorpiões;

• examinar roupas, calçados, toalhas e roupas de cama antes de usá-las;

• andar sempre calçado e usar luvas de raspa de couro ao trabalhar com material de construção, lenha, etc;

• é recomendável capturar o animal que causou o acidente e trazê-lo junto com a pessoa picada facilita o diagnóstico e o tratamento correto. Virar um recipiente de vidro sobre a aranha, colocar uma folha de papel embaixo e virar o recipiente, tampando-o imediatamente.

Instruções de como proceder ao ser picado por uma aranha peçonhenta:
Fonte: Instituto Butantan

• Não amarrar o membro acometido: o torniquete ou garrote dificulta a circulação do sangue, podendo produzir necrose ou gangrena e não impede que o veneno seja absorvido.

• Não cortar o local da picada Alguns venenos podem inclusive provocar hemorragias e o corte aumentará a perda de sangue.

• Não chupar o local da picada: não se consegue retirar o veneno do organismo após a inoculação. A sucção pode piorar as condições do local atingido.

• Lavar o local da picada somente com água e sabão. Não colocar substâncias no local da picada, como folhas, querosene, pó de café, pois elas não impedem que o veneno seja absorvido, pelo contrário, podem provocar infecção.

• Evitar que o acidentado beba querosene, álcool ou outras bebidas Além de não neutralizarem a ação do veneno, podem causar intoxicações.

• Manter o acidentado em repouso. a picada tiver ocorrido em pé ou perna, procurar manter a parte atingida em posição horizontal, evitando que o acidentado ande ou corra.

• Levar o acidentado o mais rapidamente possível a um serviço de saúde É difícil estabelecer um prazo para o atendimento adequado porém o tempo decorrido entre o acidente e o tratamento é um dos principais fatores para o prognóstico.

• Capturar o animal que causou o acidente e trazê-lo junto com a pessoa picada facilita o diagnóstico e o tratamento correto.

Como Capturar Aranhas


Inverta um recipiente qualquer (vidro, lata ou caixa de madeira) sobre o animal;

Introduza delicadamente uma folha de papel por baixo do animal;

Desvire o recipiente com cuidado e tampe evitando gestos bruscos e

Em seguida, fure a tampa e coloque junto ao animal um chumaço de algodão embebido em água.


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